Mário de Andrade - Instituto Lotta

Mário de Andrade

Mário de Andrade – Pintura de Lasar Segall -1927

Um dos criadores do modernismo no Brasil, Mário Raul de Morais Andrade era de família rica e aristocrática. Nasceu em São Paulo, no dia 9 de outubro de 1893. Formou-se no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, onde seria professor.

Seu trabalho com a literatura começou bem cedo, em críticas escritas para jornais e revistas.

Em 1917, publicou o primeiro livro, versos assinados com o pseudônimo Mário Sobral: “Há Uma Gota de Sangue em Cada Poema”.

Em 1921, Oswald de Andrade (depois de ter lido os originais de “Pauliceia Desvairada”, que seria lançado em 1922) escreveu para o “Jornal do Commercio” um artigo em que chamava Mário de “meu poeta futurista”.

Junto com Oswald e outros intelectuais, Mário ajudou a preparar a Semana de Arte Moderna de 1922. No segundo dia de espetáculos, durante o intervalo, em pé na escadaria do Teatro Municipal, leu algumas páginas de seu livro de ensaios “A Escrava Que Não É Isaura”. O público, despreparado para a ousadia, reagiu com vaias.

“Amar, Verbo Intransitivo” (1927), o primeiro romance, desmascara a estrutura familiar paulistana. A história gira em torno de um rico industrial que contrata uma governanta (a Fräulein) para ensinar alemão aos filhos. Na verdade, tudo não passa de fachada para a iniciação sexual do filho mais velho.

Em “Clã do Jabuti” (também de 1927), Mário mostra a importância que dá à pesquisa do folclore brasileiro, tendência que atingirá seu ponto alto no romance “Macunaíma” (1928), no qual recria mitos e lendas indígenas para traçar um painel do processo civilizatório brasileiro:

“No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma”.

Na musicologia, seu “Ensaio Sobre a Música Brasileira” (1928) influenciou nossos maiores compositores contemporâneos, nomes como Heitor Villa-Lobos, Francisco Mignone, Lorenzo Fernández, Camargo Guarnieri.

Como contista, os trabalhos mais significativos de Mário de Andrade acham-se em “Belazarte” e “Contos Novos”. O primeiro livro mostra a preocupação do autor em denunciar as desigualdades sociais. O segundo se constitui de textos esparsos (reunidos em publicação póstuma), mas traz os contos mais importantes, como “Peru de Natal” e “Frederico Paciência”.

Cândido Portinari, Antônio Bento, Mário de Andrade e Rodrigo Melo Franco de Andrade.

Mário de Andrade foi por quatro anos (1935-1939) o reitor da Universidade do Distrito Federal (Rio de Janeiro) e exerceu vários cargos públicos ligados à cultura, no que sobressaía seu lado de pesquisador do folclore nacional.

Em 1936, Mário de Andrade foi solicitado a preparar um documento para a criação de uma instituição nacional de proteção do patrimônio. Foi esse o documento que foi usado nas discussões preliminares sobre a estrutura e os objetivos do SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), criado afinal por decreto presidencial assinado em 30 de novembro de 1937.

O SPHAN era subordinado ao Ministério da Educação, e foi o ministro Capanema quem convidou Rodrigo Melo Franco de Andrade para dirigir a instituição recém-fundada. De 1937 até 1969, quando morreu, Rodrigo Melo Franco de Andrade manteve seu cargo de diretor do Patrimônio. A instituição veio a ser posteriormente Departamento, Instituto, Secretaria e, de novo, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), como se chama atualmente.

Teve ainda participação importante nas principais revistas modernistas: “Klaxon”, “Estética” e “Terra Roxa e Outras Terras”.

Morreu de ataque cardíaco, aos 51 anos, em 25 de fevereiro de 1945. Sua obra poética foi reunida e publicada postumamente em “Poesias Completas”.