Literatura - Instituto Lotta

Literatura


Autores que escreveram sobre Lotta

Invenções de Si em Histórias de Amor
Nadia Nogueira
Editora Apicuri – 2008

“Lota Macedo Soares morava em Nova York em 1942 com sua companheira Mary Morse. Fazia cursos no Museu de Arte Contemporânea e dali extraía idéias para serem aplicadas no Brasil. Nesse período conheceu Elizabeth Bishop, uma poetisa muito tímida, que sonhava conhecer o sul da América.

Em 1951 Bishop veio ao Rio, Lota levou-a para conhecer a casa que estava sendo construída em Samambaia, Petrópolis. O encantamento inicial pela natureza se intensificou com a declaração do amor de Lota e os cuidados dos brasileiros com sua saúde, após uma crise alérgica provocada pela mordida em um indigesto caju.

De 1951 e 1967, essas mulheres construíram uma relação de amor marcada por uma constante “reinvenção de si”, através do cuidado consigo mesmas e com a outra. Lota supervisionou as obras do Parque do Flamengo; Elizabeth escreveu muito nestes anos, talvez sua melhor produção de contos e poesias.”

Flores Raras e Banalíssimas
Carmen Lúcia Oliveira
Editora Rocco – 1995

“Em dezembro de 1951, Elizabeth Bishop desembarcou no Rio para uma escala de dois dias de uma longa viagem em que buscava um sentido para sua vida. Encontrou Lota de Macedo Soares e ficou 16 anos.

Flores raras e banalíssimas conta a história desse amor entre a poeta americana e a esteta brasileira, veemente e dramático, sob o pano de fundo do Brasil dos anos 50 e 60.

Os primeiros tempos de vida em comum, junto à mata de Samambaia, foram de grande felicidade. Assumiram sua homossexualidade com surpreendente naturalidade para a época. Bishop escreveu alguns de seus mais marcantes poemas em Samambaia, conseguindo se afastar do alcoolismo.

Em 1961, Lota embarcou no ambicioso projeto de idealizar e administrar a construção de um parque à beira-mar, no aterro do Flamengo. O casal teve que se mudar para o Rio. A visão urbanística de Lota esbarrava em interesses gananciosos e seus conceitos avançados de lazer e estética não encontravam ressonância na burocracia e na política. Lota foi-se ausentando cada vez mais de casa e, com imenso desgaste, canalizando suas energias para superar os obstáculos sistematicamente colocados pelos que consideravam seu plano visionário.

Bishop, antes apaziguada na casa na neblina, viu-se só, no burburinho da cidade grande. Seu melhor depoimento sobre a cruel transição entre a exuberância natural de Samambaia e o terror urbano está em seus poemas, nos quais a bromélia é substituída por uma cadela sarnenta e, em vez das imagens sensuais da vida natural, surgem putinhas dançando o chácháchá nas calçadas de Copacabana. Bishop recaiu no alcoolismo.

A obsessão de Lota pela conclusão do parque e a crescente instabilidade emocional de Bishop contribuíram para que ambas enfrentassem uma forte crise em sua vida amorosa, agravada pelo tumulto da época, com a instalação da ditadura e o fim político de Lacerda.”

Uma Arte
As Cartas de Elizabeth Bishop
Companhia das Letras – 1995

“Apesar de ter publicado pouco em vida, Elizabeth Bishop é cada vez mais reconhecida como um dos maiores nomes da poesia norte-americana deste século. Quinze anos após sua morte, com a publicação de uma parte de sua volumosa correspondência, um novo aspecto de seu gênio vem à tona: Bishop é mestre na arte de escrever cartas. Foi no Brasil, onde a autora viveu cerca de vinte anos – a maior parte deles com sua companheira, Lota de Macedo Soares, amiga e colaboradora de Carlos Lacerda – que foram escritas muitas dessas cartas. Textos de alto valor literário e documentos autobiográficos preciosos, elas também nos revelam o Brasil dos anos 50 aos 70 visto pelo olhar arguto e implacável de uma grande escritora.”

“Através do olhar da poeta, distanciado e crítico, porém curioso e interessado, o Brasil aparece como um país semi-civilizado, povoado de intelectuais iletrados e políticos incompetentes, mas também uma terra ‘onde a gente se sente de algum modo mais perto da verdadeira vida’.” Do tradutor Paulo Henriques Britto

A Arte de Perder
Michael Sledge
Editora Leya – 2011

“Em A Arte de Perder, Michael Sledge cria um retrato íntimo e sensível da poeta Elizabeth Bishop – sua vida no Brasil, seu relacionamento com Lota e Mary Morse.

Sledge imagina, através das correspondências de Bishop e de sua biografia, seu intenso mundo particular, revelando o gênio literário que viveu em conflito consigo mesma: como mulher e escritora.”