Casa Samambaia - Instituto Lotta

Casa Samambaia

 

Construção geométrica por planos.  A casa é dividida em cinco zonas bem definidas: galeria e circulação; cozinha e jantar; ala íntima; dependências de hóspedes e de empregados. Mais uma sala de estar, esta disposta perpendicularmente ao corpo principal. Tal arranjo confere à casa um perímetro de recorte irregular, e clareza a setorização dos ambientes: social no centro, serviço ao fundo e duas zonas íntimas nas extremidades.

As dependências de estar principal formam agradável jogo de volumes contrastantes, em íntimo contato com a vista sobre a paisagem.

Levou 5 anos para ser terminada (1950 a 1955), quando da premiação, ainda estava em fase de conclusão.

Destaca-se a ala dos dormitórios que dispõe de uma sala de estar própria, a ala reservada aos hóspedes e aos quartos de empregados estão em extremos opostos aos quartos principais, oferecendo assim a máxima liberdade aos seus ocupantes. Deve-se notar, ainda, a naturalidade com que essa casa se insere no quadro majestoso das montanhas que lhe servem de fundo.

Planta e desenhos do blog Casas Brasileiras de autoria de Silvio Vilela Colin, a partir de dados publicados na Revista Brasil Arquitetura Contemporânea nº 4, 1954. Rio de Janeiro. Edições Contemporânea.

A casa obteve o prêmio para obras de arquitetos abaixo de 40 anos na II Bienal de São Paulo, em 1954, conferido por júri ilustre integrado por Alvar Aalto, Walter Gropius e Ernest Rodger.

Com autoria do arquiteto brasileiro Sergio Bernardes (1919 – 2002), essa “residência-galpão”, embora ainda artesanal, foi o primeiro experimento consistente do uso de estruturas metálicas no Brasil. A sobriedade e economia de suas formas retas e planos abertos incorporava a paisagem e a rusticidade dos materiais locais.

“A Lotta anda muito animada. A casa dela ganhou o primeiro
lugar num concurso para arquitetos com menos de quarenta anos,
ou coisa parecida. Gropius foi um dos juízes, e é claro que a Lotta
está orgulhosíssima porque ela sabe, e eu sei, e mais alguns
amigos, que todas as idéias boas foram dela e não do arquiteto, por
mais simpático que ele seja.” Elizabeth Bishop.

Desde 31 de agosto de 1977, a propriedade da Casa de Samambaia é de Zuleika Borges Torrealba, que ao comprá-la contratou o arquiteto Ítalo Camporito, seu amigo na época, para ajudar com as mudanças no interior. Tirou um pouco da entrada do escritório, fez closets, mudou o piso e tirou a janela que ia até o chão e trazia o risco de alguma criança cair lá de cima. Para fazer a restauração, buscou as ideias do sócio do Camporito, que executou o projeto da casa.

 

“As gotas de orvalho refletem os fragmentos da mata cerrada. Uma cor de esmeralda, a mais verde desse mundo. Nada além da imensidão daquele mar de ardósia e seus relevos, ondas que batem na pedra e explodem em espuma sôfrega. Um perfume de orquídeas derretidas como em um quadro de Dalí. O mar é uma floresta que cerca desejos abissais. Mas, com determinação, você segue, sempre na mesma direção. E no fundo do oceano improvável, avança em passo firme no piso ora árido, ora úmido, em meio a gigantescos arbóreos. Ávida pelo mergulho no mar lúdico da serra, exalando a fragrância do eucalipto e com um surpreendente gosto de nêspera salpicada de flor de sal, salta de um trapézio nas nuvens. Deixa o corpo se levar, e o sol inclemente daquela altitude pincelar de bronze a face. Bem lá no fim do percurso, o acaso e o milagre cumprem o prometido. É o ponto de chegada. Com um meneio do rosto você vislumbra o remanso da sua vida: a casa da Lotta, a Fazenda Samambaia, seu nome corrente e de registro em cartório.”

A seguir uma viagem museal revelando em cada foto os detalhes da casa que Lotta de Macedo Soares concebeu e construiu, entre 1950 e 1955, no condomínio de Samambaia, na cidade de Petrópolis, na visão de Eliana Simas, Diretora de Acervo e Curadoria do Instituto Lotta. Com autoria do arquiteto brasileiro Sergio Bernardes (1919 – 2002), essa “residência-galpão”, embora ainda artesanal, foi o primeiro experimento consistente do uso de estruturas metálicas no Brasil. A sobriedade e economia de suas formas retas e planos abertos incorporava a paisagem e a rusticidade dos materiais locais. A casa obteve o prêmio para obras de arquitetos abaixo de 40 anos na II Bienal de São Paulo, em 1954, conferido por júri ilustre integrado por Alvar Aalto, Walter Gropius e Ernest Rodger. Agradecemos a Dona Zuleika, a abertura, atenção e carinho com o qual o Instituto Lotta foi recebido. Out/2013.