Cândido Portinari - Instituto Lotta

Cândido Portinari

Cândido Portinari nasceu em 30 de dezembro de 1903, numa fazenda de café em Brodowski, no estado de São Paulo. Filho de imigrantes italianos, de origem humilde, tem uma infância pobre. Recebe apenas a instrução primária. Desde criança manifesta sua vocação artística. Começa a pintar aos 9 anos. E – do cafezal às Nações Unidas – ele se torna um dos maiores pintores do seu tempo.

Casou-se com Maria Martinelli (1912-2006) que se dedicou a todos os aspectos materiais relativos às necessidades do casal, transformando-se, por vontade própria, em marchand e administradora.

O interesse de Portinari pelo ensino se concretiza na difusão da pintura mural. O  pintor enxergava  essa pintura  como  “o  melhor instrumento da arte social, uma vez que o muro pertence, via de regra, à comunidade e conta uma história, interessando um grande número de pessoas”. Suas intenções educativas abarcam não somente o conjunto de cenas históricas e religiosas, mas trazem à baila os meninos de Brodósqui, as cenas da vida na roça, os retirantes, os trabalhadores do morro, a gente simples do País, as brincadeiras e jogos infantis que traduzem uma mensagem forte, de denúncia, mas também de esperança, que visam, em última instância, a alcançar o povo. Portinari, de forma íntima, sentia-se identificado com o ensino e considerava a pintura mural um elemento precioso de educação, de influência coletiva, que resgata o sentido irradiador da arte e da experiência pedagógica frutífera.

Frente da residencia de Portinari no Leme – Mario de Andrade, Magu Leao, Portinari, Maria e Lotta.

Tendo perdido seu pólo de irradiação com o fechamento da Universidade do Distrito Federal, em janeiro de 1939, Portinari tenta interessar o ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema, na criação de uma nova cadeira de pintura mural na Escola Nacional de Belas-Artes: ‘[…] cheguei à conclusão de que o meu lugar deve continuar a ser entre os meus alunos, ainda mesmo que, para isso, venha a ser prejudicado na minha obra e nos meus interesses pessoais […]’.

Não logrando exito com o Ministro Capanema, Portinari, reúne novamente alguns de seus ex-alunos, entre eles, Lotta de Macedo Soares e aceita a execução de três grandes painéis para o Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York.  Os painéis chamam a atenção de Alfred Barr, diretor geral do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA). Portinari retorna ao Brasil com sua comitiva impressionado com uma obra que mudaria o seu estilo: “Guernica” de Pablo Picasso.

Pintado em 1937, “Guernica”, do espanhol Pablo Picasso, diz respeito ao bombardeio da cidade de Guernica durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

Em 1940, Alfred Barr compra a tela “Morro do Rio” e imediatamente a expõe no MoMA, ao lado de artistas consagrados mundialmente. O interesse geral pelo trabalho do artista brasileiro faz Barr preparar uma exposição individual para Portinari em plena Nova York. Portinari retorna com sua entourage a Nova York, participa de uma mostra de arte latino-americana no Riverside Museum, realiza exposição individual no Instituto de Artes de Detroit e no Museu de Arte Moderna, com grande sucesso de crítica, venda e público. Com o sucesso alcançado, em 1941 executa quatro grandes murais na Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso, em Washington, com temas referentes à história latino-americana. O retorno ao Brasil se daria somente em 1943.

 

“Quanto à pintura moderna, tende ela francamente para a pintura mural. Com isso, bem entendido, não quero afirmar que o quadro de cavalete perca o seu valor, pois a maneira de realizar não importa”.

 

Portinari morreu em 6 de fevereiro de 1962, vítima de intoxicação pelas tintas. Na última década de sua existência cria, para a sede da Organização das Nações Unidas, os painéis Guerra e Paz. Na concepção do diretor do Projeto Portinari, João Cândido, essa obra-síntese constitui o trabalho maior de toda a vida do pintor.

Junto de auxiliares, Portinari pinta os painéis “Guerra” e “Paz”, no galpão da TV Tupi, no Rio de Janeiro, em 1955.